do fim como do princípio do poema (v.)
à morte
do poema
ciclicamente regressas
durante o resto do poema.
e regressas porque
nunca mais
é
nunca mais
para sempre
ciclicamente.
Etiquetas: da génese
- lugar ao acaso de palavras que não aconteceram e de 'átomos ardentes de imperecível pensamento'-
à morte
do poema
ciclicamente regressas
durante o resto do poema.
e regressas porque
nunca mais
é
nunca mais
para sempre
ciclicamente.
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'Fotografias no avesso
FPA
que seja o lugar infinito. e que seja uma metamorfose dos átomos a transformar-se numa outra coisa outra que é essa que o é só para que seja depois outra e mais outra e outra ainda. que o tempo imperecível te escolha e num quarto escuro poeirento vejas a luz sucumbir ao teu pensamento a passar pelas coisas sublimes da memória. que as palavras te salvem de dentro de ti e com elas faças os livros cheios do que não cabe em mais lado nenhum outro. de dentro deles que se faça o tempo e que sejas por uma noite a consternação de teres dentro de ti o tempo e que saibas que nele não existe nada a não seres tu dentro das outras coisas dentro do mundo inteiro.
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prelúdio
O indiscreto e pungente olhar que não tinha era usado como compromisso de ver para além do vazio. Importava-lhe apenas o silêncio que lhe era uma promessa de retorno insustentável ao seu reduto onde não existiam conclusões impostas ao pensamento de si sobre os outros. Julgava a compreensão da ausência do olhar como estigma que o responsabilizava pelo atrevimento da insuportável imaginação.
diálogo
- “Eu queria perguntar-te em que olhas quando pensas mas tu pedes-me para te pensar enquanto te olho.”
- “Porque não te olho sem pensar que o olhar não existe mas apenas o pensamento sobre o olhar. Se soubesse que existias, não te olhava.”
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Dois minutos e dez segundos podem muito bem ser o tempo exacto de uma vida. “Mysteries of Love”, de Ângelo Badalamenti, em Blue Velvet ou noutro lado qualquer, é a prova disso mesmo.
Imagem: Juan Jose Cambre
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