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segunda-feira, outubro 30, 2006

o legado


Adrianna Williams


"Estamos juntos há mais de um quarto de século. (...) Gastei dezenas de pares de sapatos, larguei montes de camisolas e casacos, perdi ou abandonei relógios, despertadores e chapéus de chuva. Tudo se estraga, tudo se gasta, mas a máquina de escrever continua comigo. De todos os objectos que tinha há vinte e seis anos é o único que ainda possuo. Mais alguns meses e ela terá estado comigo exactamente metade da minha vida. " Paul Auster in A História da Minha Máquina de Escrever

Os objectos que escolhemos para existir nas nossas vidas mais não são do que uma identidade que se prolonga para além do integrante, do absoluto que somos; ou talvez epístolas indivulgáveis de metas e de dúvidas que existem debaixo do tapete; ou ainda uma espécie de interlocutor da cartada que jogamos habilmente com a inconsciência; ou quem sabe
sempre o espelho que conta a história daquilo que gostávamos de ser. A muitos falta-lhes apenas a vida para que se tornem depositários da maior das desconfianças, da maior das certezas.

terça-feira, outubro 24, 2006

m de m

Kevin Bapp


A experiência é pura quando nos deixamos observar pelos objectos que nos absorvem à passagem.

A diferença entre um minuto e outro é apenas fruto da contaminação de que somos alvo, daquilo que deixamos de ser.

A tudo o que passa e fica deixamos apenas a nossa sombra, o que fomos e talvez um pouco do que queremos ser.

Os gritos que nos consomem insconscientemente e que nos ensurdecem todos os dias mais um pouco mais não são do que reflexos dos assustados pedidos de socorro que todos transportamos.



A multidão passa na rua. De repente, pára em massa para observar quem grita e quem, cheio de sangue, não aguentou mais o silêncio. No olhar de todos, o espanto e o vício de consumir a humilhação alheia. No entanto, humilhados foram todos os que não entenderam. Pobre homem.

domingo, outubro 15, 2006

visível vs invisível


Por oposição ao que alguns escreveram, "A Barreira Invisível" não tem nada a ver com o padrão de filmes de guerra já vistos. Ele é, sobretudo, um filme de antagonismos genuínos que revela a linha ténue entre o são e o insano. Se "justificado" ou não, necessário ou não, há muito de insano na experiência de guerra. Ela existe e não pára de se recrear.
Este filme, ao contrário de outros (como o Resgate do Soldado Ryan, também do mesmo ano), nunca levanta a ideia de que devemos apenas parar de guerrear, com a simbologia antitética do bom versus mal (ou EUA vs Resto do Mundo). Ao invés, faz uma análise da guerra como algo intrínseco à espécie humana, e mostra como os seres humanos enquanto indivíduos se adaptam a qualquer circunstância, mantendo-se a comer, a respirar e sim, a matar.
É mais do que um filme, é um workshop intensivo sobre como viver no fio da navalha ou, se preferirem, sobre a fina linha vermelha. A forma como as perspectivas humanas de um dos mais brilhantes elencos jamais vistos em cinema é retratado.
Como todas as obras de arte, as películas têm uma influência preponderante na mente humana. Desde a beleza à dor, do triunfo ao desespero. Este filme cumpre todos os requisitos, não caíndo no erro hollywoodiano de manipular os espectadores mais patriotas.

JC

terça-feira, outubro 10, 2006

E depois?

quarta-feira, outubro 04, 2006

Nirgendwo in Afrika



“Algures em África”, filme de Caroline Link, galardoado com o Óscar para Melhor Filme Estrangeiro em 2003, é um filme em que a 2ª Guerra Mundial surge como pano de fundo para a história de uma família de judeus que foge para o Quénia à procura da sobrevivência. Essa sobrevivência é conseguida à custa de uma ruptura relativamente ao país de origem, à família e a um certo estar burguês que era então o estar da classe média alta dos judeus que residiam na Alemanha. Resumos à parte, interessa reter que este é um filme que incide os pressupostos sobre as relações humanas, sobretudo as que se desenvolvem entre o casal, Walter e Jettel, cuja identidade é estilhaçada pela viagem, pelo medo, pelo confronto entre o amor instituído e a derradeira revelação e pela comoção sísmica de que a personalidade de cada um dos membros do casal é vítima durante o processo. Além disso, o filme da também realizadora de “Beyond Silence”, de 1998, desenvolve-se ainda em torno da história de uma criança, Regina, filha de Walter e Jettel, que abraça genialmente, desde o início, a sua nova realidade, com ela desenvolvendo uma bonita e enternecedora relação de amizade, cumplicidade e deslumbramento perante a diferença. No entanto, não é por acaso que a menção ao continente africano é feita no título do filme. De facto, é África, e mais precisamente o Quénia, que acaba por constituir a matéria, o suporte da narrativa. Neste filme, o cenário não é apenas o objecto da contextualização, uma vez que a densidade desse cenário é tal que acaba transbordar e inundar a identidade de cada uma das personagens que assim passam a ser apenas o paradoxo que coabita num mundo de estranhos contrastes, numa realidade que apenas é nova para os “estrangeiros” que acabam de chegar. Os ritos, os costumes, o trabalho, a miséria, a aridez e a eterna subalternização do negro são os mesmos de sempre. Mas são sobretudo os olhares, anónimos e complexos, os sorrisos por coisa nenhuma, contemplados, não por acaso, na personagem de Owor, o cozinheiro da família, o amigo secreto de Regina, que neste caso, protagonizam a identidade trágica do eterno continente mal-amado.

“Algures em África” é assim um título feliz porque resume verdadeiramente o conteúdo do filme na medida em que o tema é África e o protagonista esse espaço indefinido habitado pela solidão e pelo acaso que proporciona o encontro pacífico entre dois povos diferentes.