<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d11610014\x26blogName\x3devidence+and+chlorine\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://claya.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://claya.blogspot.com/\x26vt\x3d-5922575046210966920', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

quarta-feira, outubro 04, 2006

Nirgendwo in Afrika



“Algures em África”, filme de Caroline Link, galardoado com o Óscar para Melhor Filme Estrangeiro em 2003, é um filme em que a 2ª Guerra Mundial surge como pano de fundo para a história de uma família de judeus que foge para o Quénia à procura da sobrevivência. Essa sobrevivência é conseguida à custa de uma ruptura relativamente ao país de origem, à família e a um certo estar burguês que era então o estar da classe média alta dos judeus que residiam na Alemanha. Resumos à parte, interessa reter que este é um filme que incide os pressupostos sobre as relações humanas, sobretudo as que se desenvolvem entre o casal, Walter e Jettel, cuja identidade é estilhaçada pela viagem, pelo medo, pelo confronto entre o amor instituído e a derradeira revelação e pela comoção sísmica de que a personalidade de cada um dos membros do casal é vítima durante o processo. Além disso, o filme da também realizadora de “Beyond Silence”, de 1998, desenvolve-se ainda em torno da história de uma criança, Regina, filha de Walter e Jettel, que abraça genialmente, desde o início, a sua nova realidade, com ela desenvolvendo uma bonita e enternecedora relação de amizade, cumplicidade e deslumbramento perante a diferença. No entanto, não é por acaso que a menção ao continente africano é feita no título do filme. De facto, é África, e mais precisamente o Quénia, que acaba por constituir a matéria, o suporte da narrativa. Neste filme, o cenário não é apenas o objecto da contextualização, uma vez que a densidade desse cenário é tal que acaba transbordar e inundar a identidade de cada uma das personagens que assim passam a ser apenas o paradoxo que coabita num mundo de estranhos contrastes, numa realidade que apenas é nova para os “estrangeiros” que acabam de chegar. Os ritos, os costumes, o trabalho, a miséria, a aridez e a eterna subalternização do negro são os mesmos de sempre. Mas são sobretudo os olhares, anónimos e complexos, os sorrisos por coisa nenhuma, contemplados, não por acaso, na personagem de Owor, o cozinheiro da família, o amigo secreto de Regina, que neste caso, protagonizam a identidade trágica do eterno continente mal-amado.

“Algures em África” é assim um título feliz porque resume verdadeiramente o conteúdo do filme na medida em que o tema é África e o protagonista esse espaço indefinido habitado pela solidão e pelo acaso que proporciona o encontro pacífico entre dois povos diferentes.