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terça-feira, dezembro 23, 2008

noite de n.

invocando
CF

as palavras estas são as possíveis que digo do natal que não sei o que é e que dedico a todas as pessoas as que são as do meu mundo. a todos vós, que sabeis quem são. obrigada:

estas são as minhas, vossas palavras.


a noite já lá estava antes de chegarmos nesta história. de uma noite só que é feita a história mas que tem outras as noites também. de uma que nasce, nascem as outras também. e é o que dizem que nasce primeiro que está depois. chamam-lhe a noite e dão-lhe um nome a seguir mas antes de ser mais o que seja, é a noite, a enorme noite antes de todas as outras.

em todas as noites as outras tínhamos uma casa pequenina onde morávamos com o silêncio. o silêncio a preencher as coisas, as coisas entre nós e a casa, em forma de silêncio, era o que tínhamos. era uma vez, nessa casa pequenina, tão pequenina e aconchegada de quase estar dentro da Terra, onde morávamos quase sem ninguém nos ver. éramos só nós. nós só os dois, intermináveis de não termos mais ninguém entre nós e para além de nós. mas o que estava connosco por dentro, além do silêncio, que estava por fora e por dentro, dentro da casa, dentro da Terra, dentro do espaço, era de todos, que estávamos na casa pequenina nós mas era como se estivéssemos ali que era em mais todos os outros lugares. estávamos ali em todas as noites e naquela também porque não podíamos nunca morar fora da casa pequenina porque o frio era já muito de ser quase tudo e não nos deixar nada e naquela, esta, altura do ano já era sempre de noite também e as meias-noites eram sempre tão cheias de noite, e sem vento, paradas, sossegadas, vagas e vazias também de tanto gelo que tinham por dentro, que tínhamos a casa e tínhamos o silêncio e não tínhamos mais nada. nessa, a noite, o frio que tínhamos no corpo era o que tínhamos e também a imaginação só das madrugadas paradas que estavam onde não estava o tempo ainda, que haviam de chegar. estávamos na casa pequenina e morávamos ante as estrelas que ante a súbita vontade de se sumirem pelo espaço dentro nessa noite eram a noite de não estarem lá por estarem tanto e demais e por isso não estarem. e por estarmos a mais na noite nós também, em que as estrelas não estavam, nós estávamos escondidos dentro dela desde que os dias deixaram de estar na noite quando nos levantávamos e deixávamos de esperar que o dia já lá estivesse em vez da noite outra vez sempre que abríamos os olhos agora. nessa noite estávamos ainda mais na casa pequenina portanto, que estava na noite sempre na noite porque era essa a noite, aquela noite profunda e grande adensando-se dentro de nós, por perto, e era como se estivéssemos dentro do céu quase de tanta ser a noite porque tínhamos de fugir dela. e onde estava o céu para onde fugíamos, em cima mas ao lado também e por baixo da casa pequenina, estavam as montanhas que tinham o gelo, o impressionante gelo todo em cima, da Terra que estava por baixo também, e era tão pesado, tão pesado o gelo que fazia com que o planeta naquele lugar fosse tão mais pesado no espaço de tão pesado ser o gelo, abrindo um buraco onde se escondia a Terra da noite porque o gelo em cima das montanhas pesava demais. e o gelo esse era que nos entrava pelas janelas dentro, nessa noite em que estávamos, os olhos dentro, pesando, e o frio era o gelo que estava nas montanhas para estar na Terra dentro de nós. naquela noite, nessa, a noite que chamam a noite que está antes de todas as noites por não ser essa uma noite como as outras porque tem nome e o nome é o nome de noite maior que as outras todas, só, esse o nome, é uma noite em que estávamos dentro da Terra na casa pequenina e nessa noite fazíamos parte de tudo. e na Terra a levitar no espaço éramos duas pessoas tão mais pequeninas ainda na vasta imensidão da noite a levitar no espaço também ao mesmo tempo que a Terra. e habitávamos o espaço todo, e nas noites todas ao mesmo tempo era onde estávamos. nós e as noites. e todos os planetas levitavam no espaço naquela noite no mesmo outro ritmo que o nosso. e o ritmo de andarmos pelo espaço era o andamento ternário de uma canção que não tinha que ser essa que era, era a canção essa de uma voz que vinha de dentro da Terra, era a canção que todos ouvíamos. e a canção da voz que era de todos, a nossa, porque todos a tínhamos ouvido algures pouco tempo antes de nascermos, era a voz que naquela noite todos ouvíamos ao mesmo tempo enfim, e como nas noites antes e depois desta, os que não tinham nascido ainda, os que já tinham nascido e os que ainda iam nascer, e os que iam morrer. todos ouvíamos. porque estávamos na origem prestes a nascer. a levitar no espaço, a nascer com a noite que essa é como que um nascimento do que dizem ser o nascimento. nessa noite nascemos. nascemos e é a noite que nasce. ao mesmo tempo nascemos que a noite que é a noite que nasce antes de todas as outras. e nós nascíamos de dentro dela, e estávamos a partir daí sempre dentro do silêncio, dentro da casa pequenina que estava quase dentro do gelo das montanhas onde estava a Terra a pesar. a noite que era a que fez nascer a Terra.

Etiquetas:

3 Comments:

Blogger Hugo Milhanas Machado said...

Lindíssimo.

05 janeiro, 2009 10:54  
Blogger Luciana said...

A beleza na consciência pura da noite de n.

07 janeiro, 2009 23:47  
Blogger sandra g.d. said...

belas as palavras as vossas no que dizem. obrigada sempre.

12 janeiro, 2009 01:22  

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