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domingo, março 15, 2009

.o silêncio dos outros #(7)

Um companheiro para o diálogo interior

[...]

cheios de vasilhas esperando a chuva

parados à espera

de um companheiro possível para o diálogo interior

[...]

Daniel Faria


Por Ana Salomé


Eu quero alguém que compreenda o meu silêncio, assim como quero compreender o seu silêncio. Alguém com quem seja possível passear junto do mar, dentro de uma floresta, pelas ruas de qualquer cidade de mãos dadas, convertidos em caminho, e não nos sintamos menos próximos ou incomodados se não falarmos. Economizemos as palavras, mas aproximemo-nos igualmente dialogantes. Nunca nos falte a compreensão, ainda que absurda, do sabor do pão na boca de uma criança que passe, pois bastará que ambos olhemos para o pão e para a criança e logo nos recordaremos do tempo em que éramos nós que fazíamos essa ligação entre sujeito e substância. A memória rebentará com um estrépito de sabor e criança que passe, será criança que nos levará o pão à boca. Recebemo-lo em silêncio para nos encostarmos ao mar do sangue um do outro. Ficaremos pesados, marmóreos, exactos. Mãos e pés crescerão assentes na planura da luz. Os dedos, ao sentirem-se movidos, impelidos pela paixão, que sejam ondas, que sejam uma rebentação alongando-se. Os ossos dele moldarão os meus e chegará a altura em que qualquer palavra vem somente para calcinar a mudez da alvenaria. Há muito tempo que teremos deixado de falar num certo sentido. As palavras transformar-se-ão de novo nos seus referentes. Mar será o mar, floresta será a floresta, cidade será a cidade por onde passamos. Satisfazer-nos-emos com a modelação do nosso pensamento mágico. Viveremos com uma gota de sangue sempre a cabecear no sono da língua. Para além dos ossos, ele tomará também o meu corpo na sua lisura e pintará nele tudo o que imagina ter visto nos sonhos que se proliferam cá dentro de nós. Porque eu quero alguém que me execute com bondade e com beleza. Alguém que compreenda esta necessidade de silêncio, que lhe reconheça a face como se se olhasse na superfície espelhada do seu próprio indizível.

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1 Comments:

Blogger Nuno Rocha. said...

Muito bonito. :)

16 março, 2009 16:23  

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