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segunda-feira, setembro 05, 2005

(Takk)


1- São dois palcos que se derramam pelos olhos dentro. Um morre, continuamente. O outro, deixou de se ver.

2- Esmagados pelo vento que habita cada uma das personagens, três indivíduos, vestidos de negro, seguram uma vela e procuram representar.

3- O primeiro dos que está vestido de negro caiu. Suspenso na corda de felicidade, balouça, resiste, sufocado pelo sonho.

4- (Acho que foi no palco que deixou de se ver.)

5- O terceiro. Bate palmas debaixo da nuvem em que se escondeu. Tem medo da rosa que lhe arrancou da mão o lugar do sangue.

(interregno - o carrocel leva a humanidade)

6- As mãos abrem-se em concha. Nas fissuras, o desenho de uma "Porta do Inferno" transformada numa porta do paraíso, ainda mais perfeita. A pedra move-se, demorada nas perguntas. Nus, descalços, agora brancos, em busca do movimento que lhes permite a libertação da rocha.

7- O breu, a pele, a coragem, impedida de passar para o outro lado do palco por dois braços que sobram do segundo corpo deitado no chão e que treme ao som das possibilidades infinitas da coragem desfeita.

8- Os três corpos voltam a encontrar-se. Correm em direcções opostas, provocando o caos, e/ou o levantamento da matéria.

9- O fim cabe dentro do palco que deixou de se ver.

10- Sentados no parapeito de uma janela que arde, numa imensidão vertiginosa de labaredas e soluços, três corpos misturados em fogo e água, condensam a morte e a vida num só.

11- A cinza que sobrou toma a forma de TAKK. *




* - Reportagem: Diana Tsir
Música: Takk, Sigur 'Rós (2005)

2 Comments:

Anonymous Armindo, o feijão épico said...

Ai sim? Quá, quá, quá, quá!

10 setembro, 2005 15:18  
Blogger Alfie said...

E a seguir? O que é que vem?

22 setembro, 2005 03:19  

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